5 de setembro de 2009
Me apaixonei por esses sutiã/top. Não é o tipo certo de roupa íntima para esconder, se eu o tivesse comprado(por 20 reais, aliás, 19,90 na C&A), iria querer mostrá-lo com alguma blusa de costas nuas ou ombro aparente! A pulseirinha fofa com um elefantinho dourado com strass custa, na Riachuelo, 15 e fração.
2 de setembro de 2009
Três vezes por semana, eu saía às cinco e sentava no banco de cimento do estacionamento, esperando por minha carona. A aula era longa e enfadonha, e o fato de eu conhecer (apenas superficialmente) pouquissímas pessoas de minha sala -que tinha aproximadamente 130 componentes- só a tornava pior.
Eu estava cansada, louca para chegar em casa. Mas fazer o quê? Precisava estar ali. Enquanto tentava revisar e memorizar os assuntos, muito embaçados por conversas e barulhos paralelos à minha concentração, percebi a presença de um homem. Logo reconheci nele um segurança. Cumprimentei e começamos a conversar.
Isso tornou-se uma rotina. Mas havia alguma coisa estranha, alguma coisa errada. Um dia eu acidentalmente comentei que dançava. Pra quê, senhor, pra quê?! Isso foi suficiente para ele me contar tudo o sabia sobre arte. O tio se identificou com uma facilidade incrível, e começou a me mostrar as fotos da arte dele. A arte dele eram quadrinhos de times de futebol esculpidos em madeira, ou frase no estilo "Deus é meu Pastor e nada me faltará".
Me encontrei na situação de evitá-lo. Fazia de tudo para chegar ao mais tardar no estacionamento, e tentava entrar no carro bem rápido, sem nem antes sentar no banquinho de cimento para esperar, sem nem raciocinar sobre tudo que eu havia visto/ouvido durante a tarde. Tudo isso por alguma coisa estranha no sujeito, que eu não consegui identificar por semanas... o homem era tão simpático!
Minha mãe, em uma sexta-feira, olhou para ele, que dava tchauzinho do outro lado da rua.
- Sinto muito por ter que te fazer esperar. Tenho tentado chegar mais cedo para te poupar do papo chato dele, mas ele está sempre aí, te acha inteligentíssima.
Chato. Esse era o problema do cara.
31 de agosto de 2009
Sonhei com uma declaração de amor. Ele me dizia com a voz intensa: "Você sabe que eu te quero de um jeito diferente". Mas o amor mesmo, que ele me entregou, foi com os olhos. Eu não disse nem que não nem que sim. Por que eu não o amava; e seu amor não poderia mudar isso.
22 de agosto de 2009
O Leitor, Bernhard Schlink
"Por que pensar naquela época me deixa tão triste? Será a saudade de uma felicidade passada? E eu fui feliz nas semanas seguintes, em que realmente estudei como um idiota, conseguindo passar de ano, e nós nos amamos como se nada mais contasse no mundo. Ou foi pelo que soube depois, o que estava lá o tempo todo mas que só veio à luz depois?
Por que? Será porque aquilo que foi belo se torna frágil para nós em retrospectiva, por esconder verdades sombrias? Por que a lembrança de anos felizes de casamento se estraga quando se revela que o outro tinha um amante durante todos aqueles anos? Será porque não se pode ser feliz em tal situação? Mas a pessoa era feliz! Às vezes a lembrança não é fiel à felicidade quando o fim foi doloroso. Será porque a felicidade só vale quando permanece para sempre?será porque só pode terminar dolorosamente o que foi doloroso de modo inconsciente e invisível? Mas o que é uma dor inconsciente e invisível?"
"Pessoas vem e vão... Amigos vem e ficam. Amo todos vocês, amigos de verdade!"
Tsc's eternos.
Impressionante é perceber quem é uma pessoa é depois de muitos anos. Tudo que ela pôde concluir depois de uma hora conversando(sobre a vida dela) foi "Nossa, você não sabe nada sobre a minha vida".
"Se você precisasse de mim, em um segundo eu apareceria".
Não sei quem foi o demente que delimitou que os amigos aparecem nos momentos difíceis. Corrigindo: amigos aparecem para estar com você. Seja para o que for. Seja para jogar conversa fora, desabafar, fofocar sobre celebridades. Amigos são de fibra, não se interessam pelo conteúdo do encontro, mas pelo tempo passado juntos, pela amizade.
Você, sua egocêntrica, não se importa comigo. Você nem liga se eu estou bem ou não. Você só me procura quando você precisa, porque tudo o que importa, Narcisa, é você.
Ele me faz morder os lábios de um jeito que outros garotos não fazem. Nem os mais bonitos, mais engraçados e mais impossíveis.
Eu não consigo parar de olhar quando ele sorri.
Gosto do fato dele não se intimidar pelo sexo oposto, gosto da naturalidade, do jeito fluido e prático com que ele resolve os problemas. Gosto da liderança, da confiança e da pose. Pose que não deixa de ser pose, mas ainda sim, é auntêntica.
Ele reclama. A voz alta, a autoridade, o rosto vermelho: tudo lhe cai bem.
Piadas sem graça, tênis lenhados, cara queimada de sol.
Gosto de tudo.
Mas se fosse tudo diferente eu gostaria também - ainda seria ele.
Eu olhei para o papel, meio tranquila, meio surpresa por ver de repente tantas linhas. Me pediram para escrever minhas expectativas sobre o novo colégio, em dez linhas, considerando certos aspectos.
No íntimo, eu sei que dez linhas é muito pouco para expressar minha vontade de mudar. Em dez linhas não posso dizer que considero noventa por cento das conversas que tenho com minhas colegas, inúteis, vazias e sem sentido. Que acho que a vida é muito, mas muito mais que a Kipling, a Nike, a Roxy, a Adidas e tantas outras grifes que se enterraram na minha mente depois que entrei naquela escola. Não posso falar o quanto desprezo pessoas arrogantes, que são as que dominam o Colégio Antônio Vieira. Não tenho a chance, em dez linhas, de exprimir tudo o que espero do Oficina, porque, honestamente, espero muita coisa.
Mas eu não escrevi meu íntimo em dez linhas. Escrevi um pouco rispidamente o que penso... de um modo limitado.
Em dez linhas, não dá pra dizer nada.